quinta-feira, 3 de julho de 2008

Vidainvisiveldointerprete

Segunda postagem em meu blog (que emoção!). Por onde começar?? Pelo começo? Ou seja,
desde quando me interesso por línguas (Português e outras?).
Bem, acho que sim. Comecei a estudar Inglês e Francês aos 8 anos de idade, no Externato Elvira Brandão. Até hoje lembro-me dos cabelos brancos e ralos da professora de Inglês, que acho que se chamava Helen qualquer coisa e que nos distribuía reguadas para valer, e da calma professora de Francês, Eliane de Gaumont, ou algo no gênero.
No ginásio, continuei a ter Inglês e Francês, mas "alguma coisa aconteceu em meu coração" (parafraseando o Caetano), quando ouvi os Beatles pela primeira vez. Daí a querer compreender as letras foi um passo rápido. E, de volta de uma viagem para a Europa naquele estilo "Hoje é terça, isto deve ser a Bélgica", apaixonei-me perdidamente pela Inglaterra e caí direto na Cultura Inglesa, onde o diretor, Tony McCullough, me pôs no quarto ano. Divertíamo-nos para valer quando ele lia em voz alta a peça Androcles and the Lion, do Bernard Shaw, e onde ele fazia o Androcles, a mulher do Androcles, o leão, todo mundo.
Concluí o curso com 18 anos e passei no Cambridge Proficiency Exam. O Francês continuava na escola, onde nos ministravam os cursos externos da Aliança Francesa. E a faculdade? Não pensei em línguas, pois eram uma espécie de hobby. Fui fazer Filosofia no Sedes Sapientiae, na época ainda das Cônegas de Santo Agostinho e depois encampado pela PUC. Eu adorava Filosofia e nunca me arrependi de minha opção, mas já pelo segundo ano estava preocupada com o lado prático de como ganhar a vida. E foi aí que comecei a dar aulas de Inglês no Cel-Lep, depois de um curso intensivo de Inglês em Londres, para reciclagem. Além do Inglês, tinha voltado a estudar Francês na Aliança, pois na época muito livros de Filosofia não eram traduzidos para o Português, e acabávamos lendo muito em Francês. Para não falar de muitos filósofos contemporâneos franceses, como Foucault, Deleuze, etc.
Bem, a essas alturas, terminando a faculdade, fiquei meio cansada de dar aulas. Comecei a fazer "bicos" como recepcionista em congressos, e via passar as intérpretes, que granjearam minha admiração. "Troço difícil", eu pensava. E como sempre gostei de desafios, achei que era isso que eu queria fazer.
Não me lembro bem como, acabei sabendo do curso de Tradução e Interpretação da Associação Alumni, na época ministrado por Angela Levy e Clare Charity. Passei no teste e comecei a fazê-lo, encantada da vida. Primeiro, tomei um banho de humildade: a gente pensa que sabe ambas as línguas, mas chegada lá, levei cada susto e cada surpresa! Foi um exercício intelectual muito interessante e estudávamos para valer. Além disso, valeu-me várias amizades que perduram até hoje: as próprias Angela e Clare e uma de minhas melhores amigas, com quem comecei a trabalhar, Stella Meyer. A Stella é um talento natural para a interpretação. Já eu suava frio,
ficava insegura, gaguejava. Enfim, foi na base de muito trabalho que consegui fazer alguma coisa em cabine.
Mas continuava insatisfeita, e aí decidi passar uns tempos nos Estados Unidos, para melhorar meu ouvido, visto que havia aprendido Inglês na escola e precisava de mais vivência na língua.

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